BIOGRAFIA:
"Por
uma noite, o tempo parou e milhares de fãs leais regozijaram-se
com a actuação dos Doors - a versão Século
XXI composta pelos membros fundadores Ray Manzarek e Robby Krieger
- num concerto mágico que, mais do que qualquer espectáculo
da nossa memória recente, ilustrou o poder e a influência
do eterno rock n'roll.
(John Lappen, "The Hollywood Reporter", sobre a estreia
dos Doors em Los Angeles, mais de 30 anos depois... a 7 de Fevereiro
2003, no Universal Amphitheatre).
Mito.... legenda...
realidade... The Doors. É o decorrer da história
com mais de 37 anos de uma das bandas com mais influência
no rock n'roll. A formação inicial composta pelo
poeta/cantor Jim Morrison, pelo teclista Ray Manzarek, pelo guitarrista
Robby Krieger e pelo baterista John Densmore, gravou e lançou
7 albums com alguma da mais potente e memorável música
rock desde sempre. A actuação incendiária
da banda ao vivo desafiou qualquer descrição...
Morrison, o "Lizard King", declamando, desafiando e
confrontando o seu público.... levando-o ao limite do seu
universo, e por vezes, levando-o para além desse limite.
Manzarek, Krieger e Densmore tocando ritmos próprios de
bacanais psicadélicos numa ordem firme e exacta; o acompanhamento
perfeito para os voos de Morrison nas perturbadoras profundezas
do seu e do nosso subconsciente.
Um capítulo
difícil para a banda emergiu com a morte de Morrison, por
ataque cardíaco em Paris, a 3 de Julho de 1971, à
tenra mas não tão inocente idade de 27 anos. Com
o falecimento de Morrison, terminavam os principais anos da demasiado
breve história da banda - e muitos, senão todos
os discípulos, difamadores, "die-hards", cépticos
ficaram tristemente convencidos que esta era a última coisa
que jamais se ouviria sobre este quarteto pioneiro. O trio continuou
o pós-Morrison, gravando e editando 2 albums; e realizando
espectáculos ao vivo ainda cintilantes. Quando também
eles, finalmente se aperceberam que talvez a música tivesse
chegado ao fim, os restantes membros mutuamente concordaram que
estavam quites em 1972, com um voto de respeito e dignidade para
o nome "Doors".
Quase 30 anos
depois, para grande satisfação de todos os envolvidos,
os Doors voltaram a juntar-se para tocar não só
os seus clássicos como também novas músicas.
Conforme Krieger tão a propósito afirma: "30
anos depois do nosso último concerto juntos é tempo
de sobra para esperar". Porquê agora, quando a tentação
de tocar essa música mágica e misteriosa dos Doors
foi suportada pelos seus criadores durante mais de 3 décadas?
Manzarek, o guardião da chama dos Doors durante todos estes
anos simplesmente sorri e diz: "As estrelas estão
agora devidamente alinhadas para que isto aconteça... e
com a seriedade dos tempos em que vivemos, pareceu-nos certo reinventar
os Doors".
O que está
a acontecer agora é que os Doors de um novo milénio
nasceram, dando a Manzarek e Krieger um alegre sentido de renascer.
Os rumores de uma possível reunião dos Doors começaram
a ser ouvidos quando os membros sobreviventes da banda actuaram
na popular série VH1: Storytellers. Tocar clássicos
dos Doors com uma variedade de veneráveis cantores como
Scott Weiland dos Stone Temple Pilot, Scott Stapp dos Creed e
Ian Astbury dos The Cult deu à banda um sentimento daquilo
que seria actuarem juntos novamente. Foi quase 18 meses depois
que esse sentimento se tornou realidade.
Manzarek relembra,
"De repente, recebemos uma chamada da companhia Harley Davidson.
Queriam que fossemos cabeças de cartaz de dois espectáculos
do seu Aniversário dos 100 Anos. Pareceu-nos divertido
e iria dar-nos a oportunidade de actuarmos novamente perante um
largo número de fãs. Foi o impulso necessário
para refazer The Doors".
A busca de
um novo vocalista levou algum tempo, mas no final, Manzarek e
Kreiger sentiram que Ian Astbury era o homem certo. Manzarek relembra:
"sabíamos que Ian da banda inglesa The Cult sempre
tinha expressado o seu desejo de actuar com os Doors, dizendo
que se alguma vez decidíssemos voltar à estrada,
ele queria participar. O que eu gosto no Ian, é que ele
vem do mesmo sítio que o Jim, mas há nele um toque
de "shaman". Ian é homem de sí mesmo.
Tem um sentido de perigo que é muito semelhante ao de Jim
Morrison, sem ser uma imitação. Não lhe conseguimos
resistir".
Krieger ressoa
estes pensamentos: "Ian estava um pouco apreensivo de início
porque não queria que se pensasse que ia copiar o Jim Morrison.
Ele está a ser ele mesmo no palco, e tem funcionado realmente
bem. Nunca vamos substituir o Jim, mas a questão não
é essa. O Ian trás a sua própria interpretação
da nossa música para o palco e ao mesmo tempo emana uma
vibração que é muito semelhante à
do Jim".
Os espectáculos
de Setembro 2002 nos festivais dos 100 Anos da Harley-Davidson
na Califórnia e no Ontario provaram que esta nova versão
dos Doors tem o mesmo poder e majestade que a banda possuía
nos calmos dias do seu começo. Os dois sets de duas horas
da banda foram poderosas afirmações não só
da viabilidade desta muito adiada reunião, como também
de que a música dos Doors é eterna - com a habilidade
não só de tocar os corações e almas
da geração que cresceu com a música da banda,
mas também das novas gerações de fãs
mais novos que só tinham lido ou ouvido falar dos Doors.
"Estamos felizes de poder tocar para multidões que
incluem não só os nossos primeiros fãs, mas
também fãs mais jovens que não estavam cá
na primeira volta" diz Manzarek com entusiasmo. Krieger intervém,
"Foi incrível actuar ao vivo com o Ray novamente.
Os últimos 30 anos passaram num instante e estar novamente
em palco com o Ray foi fantástico. Estamos a fazer isto
para nos divertirmos; é disso que se trata".
A banda planeia
fazer uma tournee de verão pelos festivais europeus e norte
americanos. Também estão a trabalhar numa nova música.
O Krieger e o Manzarek têm composto juntos e, de acordo
com Manzarek, é como nos bons velhos tempos. "Escrever
de novo com o Robby lembra-me a sala de ensaios com os Doors em
1968; tem sido maravilhoso. O que vamos fazer é manter
a tradição poética dos Doors trabalhando
com alguns poetas actuais. O Robby e eu estamos a compor a música
e o Ian vai escrever as letras."
Ambos Krieger e Manzarek concordam que apesar da nova versão
dos The Doors ter altos padrões a honrá-los, a reunião
com um novo membro não vai manchar o seu legado histórico.
"Penso que a nova formação é mais um
link numa progressão linear que irá trazer The Doors
dos Anos 60 directamente para o Século XXI. Tratamos de
espalhar amor e paixão a todos os que nos vêm ouvir
tocar, juntamente com crença e imersão na energia
que emitimos. È o que vamos fazer desta vez". Krieger
acrescenta, "Vamos manter a tradição dos The
Doors; mas como estes são outros tempos, e como temos um
novo vocalista, isto também irá assumir vida própria
e evoluir pelo seu próprio caminho".
Que diria
o Jim Morrison sobre toda esta nova actividade dos Doors? A resposta
de Manzarek é rápida e optimista "Penso que
o Jim ficaria emocionado. Vamos estar a tocar e a cantar as letras
do Jim 30 anos depois da sua morte. Ele seria o primeiro a dizer-nos
para o fazermos. O Jim só queria que toda a gente ouvisse
as letras e isto permite-nos continuar a ter pessoas a ouvir as
suas palavras". Krieger concorda, "Penso que o Jim ficaria
contente de estarmos a tocar. Penso que esperamos o suficiente.
Está na altura de fazer rock novamente.... e vamos fazê-lo
mais uma vez."
O Círculo
Intimo dos The Doors voltou a juntar-se. "Estão cá
todos?... estão cá todos?.... a cerimónia
está prestes a começar"... de novo.