FESTIVAL DUNAS S.JACINTO - S.Jacinto - 10, 11 e 12 de Julho de 2003

Nota Geral MF 06/10

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Primeira edição de um festival que promete lutar de igual para igual com os grandes festivais de verão. Pecou pela hora de início dos concertos e pelas condições do campismo. As próximas edições prometem dias em cheio, não só pelas bandas que estiveram em cartaz logo na primeira edição mas tambem pela beleza da reserva natural e da própria vila de S. Jacinto que fica situada num dos locais mais peculiares de Portugal... uma extensa península de areia entre o mar e a Ria de Aveiro em que os únicos acessos são por uma estrada a norte ou atravessando a Ria de barco .

Dia 10: Xutos & Pontapés, INXS, Big Fat Mamma, Crude e Fishbrain.
Para abrir a noite de concertos e os 3 dias de festival, estiveram os FISHBRAIN, com um som diferente daquele que se esperava para o resto da noite e ainda com poucas pessoas na frente do palco, talvez por culpa da fraca afluência a todo o festival e a meu ver, da hora de início dos concertos. De seguida CRUDE subiram a um palco que ainda não lhes pertence, mas ninguem foi la tocar por puro acaso e elas sabiam bem disso ate porque nunca perderam a motivação até ao final do concerto. De Braga vieram os BIG FAT MAMMA que em pouco mais de 50 minutos deram um autêntico festival de funk carregado de ritmos Brasileiros mas nem assim conseguiram com que a assistência ficasse um pouco mais animada e composta. Chegou a vez da banda Australiana INXS pisar o palco, passados 10 anos da última actuação em Portugal, e como se sabe, com o agora vocalista Jon Stevens numa tentativa de substituir Michael Hutchence, já falecido. Foi o grande concerto da noite, com exitos atrás de exitos, como 'New sensation', 'Mistify', 'Devil inside' e claro, 'Suicide Blonde'. Quem esperava algo de novo apanhou uma grande desilusão... só mesmo o tema dedicado à morte de Hutchence, 'Never tear us apart'. A fechar a noite de concertos própriamente ditos estiveram XUTOS & PONTAPÉS que apesar de dispensarem apresentações e de ja terem corrido Portugal em actuações, ninguem recusa ver de novo. Eles estao aí para durar e foi o que mais uma vez demonstraram em S.Jacinto. De realçar o encore em que Zé Pedro tocou o tema 'Submissão' apenas com o acompanhamento de Kalu na bateria. DEATH IN VEGAS de Richard Fearless e Steve Hellier com outros 5 elementos em palco deram continuidade à noite com uma After-hours num formato rock electrónico mesmo com um ambiente já morto.

Dia 11: Simply Red, Pedro Abrunhosa, Shivaree, Santos & Pecadores e Fadomorse.
Segundo dia... mas uma desilusão para as primeiras bandas que de certeza ja tiveram concertos com mais afluência. FADOMORSE, projecto liderado por Hugo Gouveia com um funk vindo de Viseu, que faz lembrar Rage Against de Machine. Banda com futuro promissor mas tem que procurar um maior equilibrio na sonoridade. SANTOS E PECADORES, um concerto com pouco a dizer. Baseou-se numa sucessão de temas que fizeram aguentar o grupo durante estes 10 anos de carreira,e num tema de James Brown versão Olavo Bilac.Seguiram-se os Americanos SHIVAREE, banda em tempos muito aclamada em Portugal e com actuações sempre brilhantes, mas em S.Jacinto estiveram a meio gás e deixaram muito a desejar talvez por se tratar de uma actuação ao ar livre em que o som se perde e não de um concerto em recinto fechado.Contrariando as ultimas prestações de promoção do último album, PEDRO ABRUNHOSA apareceu num concerto à moda antiga, actuando de forma mais exuberante e provocador, indo buscar o fundo do baú músicas como 'Talvez foder' para dar palmadinhas nas costas tanto a Paulo Portas como ao presidente Americano... nada que ninguem não tenha visto antes. Para fechar a noite, SIMPLY RED que tocaram para uma audiência com perto de dez mil pessoas, para muitas delas, o concerto que as levou a ir a S.Jacinto nessa noite, e se assim foi, não deram o dinheiro como perdido. Apesar de terem assistido a um Mick Hucknall um pouco preso de movimentos, temas como 'Stars', 'Something got me started' e 'Fairground' fizeram sonhar quem marcou presença e levaram a plateia ao rubro.

Dia 12: Roxy Music, Paulo Gonzo, EZ Special, Raindogs e Bodhisattva.
Desta vez a abertura do último dia ficou a cargo dos BODHISATTVA, com um rock arrojado e a plateia mais consistente das primeiras bandas dos dois dias anteriores, tambem porque a banda veio de Aveiro, do outro lado da ria. RAINDOGS, banda desconhecida para a maioria dos presentes, mas a deixar um ar de satisfação a quem assistiu com atenção. Numa curta passagem pelo festival mas para o delirio dos mais jovens que se faziam acompanhar pelos pais, estiveram os EZ SPECIAL. o publico denotava um desconhecimento das letras mas seguiram todo o concerto com satisfação, até que surgiu 'Daisy', o single que todos aguardavam e que contou com a participação de todos os presentes. PAULO GONZO, bom concerto para quem gosta do estilo. Mesmo quem não aprecia tem de admitir que a presença em palco conta muito, e Paulo Gonzo tem tudo para levar certas plateias ao êxtase... discutivel é se tem lugar num Festival de música. Para fechar o festival em grande, a organização apostou em ROXY MUSIC e viu essa aposta ganha com o melhor concerto dos três dias. Foi um espectáculo grandioso e envolvente para quem se deixou levar pelos ritmos pop dos 11 músicos presentes em palco, e em especial, pela prestação de Brian Ferry que se entregou completamente em temas como 'More than this', 'Dance away' e claro, 'Jealous guy'.

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Na Rede:
http://www.bndportugal.com/

Pedro Melo, Música e Festivais.
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