Nota
Geral MF 06/10
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Primeira edição
de um festival que promete lutar de igual para igual com os grandes
festivais de verão. Pecou pela hora de início dos
concertos e pelas condições do campismo. As próximas
edições prometem dias em cheio, não só
pelas bandas que estiveram em cartaz logo na primeira edição
mas tambem pela beleza da reserva natural e da própria vila
de S. Jacinto que fica situada num dos locais mais peculiares de
Portugal... uma extensa península de areia entre o mar e
a Ria de Aveiro em que os únicos acessos são por uma
estrada a norte ou atravessando a Ria de barco .
Dia
10: Xutos & Pontapés, INXS, Big Fat Mamma, Crude e Fishbrain.
Para abrir a noite de concertos e os 3 dias de festival, estiveram
os FISHBRAIN, com um som diferente daquele que se esperava para
o resto da noite e ainda com poucas pessoas na frente do palco,
talvez por culpa da fraca afluência a todo o festival e a
meu ver, da hora de início dos concertos. De seguida CRUDE
subiram a um palco que ainda não lhes pertence, mas ninguem
foi la tocar por puro acaso e elas sabiam bem disso ate porque nunca
perderam a motivação até ao final do concerto.
De Braga vieram os BIG FAT MAMMA que em pouco mais de 50 minutos
deram um autêntico festival de funk carregado de ritmos Brasileiros
mas nem assim conseguiram com que a assistência ficasse um
pouco mais animada e composta. Chegou a vez da banda Australiana
INXS pisar o palco, passados 10 anos da última actuação
em Portugal, e como se sabe, com o agora vocalista Jon Stevens numa
tentativa de substituir Michael Hutchence, já falecido. Foi
o grande concerto da noite, com exitos atrás de exitos, como
'New sensation', 'Mistify', 'Devil inside' e claro, 'Suicide Blonde'.
Quem esperava algo de novo apanhou uma grande desilusão...
só mesmo o tema dedicado à morte de Hutchence, 'Never
tear us apart'. A fechar a noite de concertos própriamente
ditos estiveram XUTOS & PONTAPÉS que apesar de dispensarem
apresentações e de ja terem corrido Portugal em actuações,
ninguem recusa ver de novo. Eles estao aí para durar e foi
o que mais uma vez demonstraram em S.Jacinto. De realçar
o encore em que Zé Pedro tocou o tema 'Submissão'
apenas com o acompanhamento de Kalu na bateria. DEATH IN VEGAS de
Richard Fearless e Steve Hellier com outros 5 elementos em palco
deram continuidade à noite com uma After-hours num formato
rock electrónico mesmo com um ambiente já morto.
Dia
11: Simply Red, Pedro Abrunhosa, Shivaree, Santos & Pecadores
e Fadomorse.
Segundo dia... mas uma desilusão para as primeiras bandas
que de certeza ja tiveram concertos com mais afluência. FADOMORSE,
projecto liderado por Hugo Gouveia com um funk vindo de Viseu, que
faz lembrar Rage Against de Machine. Banda com futuro promissor
mas tem que procurar um maior equilibrio na sonoridade. SANTOS E
PECADORES, um concerto com pouco a dizer. Baseou-se numa sucessão
de temas que fizeram aguentar o grupo durante estes 10 anos de carreira,e
num tema de James Brown versão Olavo Bilac.Seguiram-se os
Americanos SHIVAREE, banda em tempos muito aclamada em Portugal
e com actuações sempre brilhantes, mas em S.Jacinto
estiveram a meio gás e deixaram muito a desejar talvez por
se tratar de uma actuação ao ar livre em que o som
se perde e não de um concerto em recinto fechado.Contrariando
as ultimas prestações de promoção do
último album, PEDRO ABRUNHOSA apareceu num concerto à
moda antiga, actuando de forma mais exuberante e provocador, indo
buscar o fundo do baú músicas como 'Talvez foder'
para dar palmadinhas nas costas tanto a Paulo Portas como ao presidente
Americano... nada que ninguem não tenha visto antes. Para
fechar a noite, SIMPLY RED que tocaram para uma audiência
com perto de dez mil pessoas, para muitas delas, o concerto que
as levou a ir a S.Jacinto nessa noite, e se assim foi, não
deram o dinheiro como perdido. Apesar de terem assistido a um Mick
Hucknall um pouco preso de movimentos, temas como 'Stars', 'Something
got me started' e 'Fairground' fizeram sonhar quem marcou presença
e levaram a plateia ao rubro.
Dia
12: Roxy Music, Paulo Gonzo, EZ Special, Raindogs e Bodhisattva.
Desta vez a abertura do último dia ficou a cargo dos BODHISATTVA,
com um rock arrojado e a plateia mais consistente das primeiras
bandas dos dois dias anteriores, tambem porque a banda veio de Aveiro,
do outro lado da ria. RAINDOGS, banda desconhecida para a maioria
dos presentes, mas a deixar um ar de satisfação a
quem assistiu com atenção. Numa curta passagem pelo
festival mas para o delirio dos mais jovens que se faziam acompanhar
pelos pais, estiveram os EZ SPECIAL. o publico denotava um desconhecimento
das letras mas seguiram todo o concerto com satisfação,
até que surgiu 'Daisy', o single que todos aguardavam e que
contou com a participação de todos os presentes. PAULO
GONZO, bom concerto para quem gosta do estilo. Mesmo quem não
aprecia tem de admitir que a presença em palco conta muito,
e Paulo Gonzo tem tudo para levar certas plateias ao êxtase...
discutivel é se tem lugar num Festival de música.
Para fechar o festival em grande, a organização apostou
em ROXY MUSIC e viu essa aposta ganha com o melhor concerto dos
três dias. Foi um espectáculo grandioso e envolvente
para quem se deixou levar pelos ritmos pop dos 11 músicos
presentes em palco, e em especial, pela prestação
de Brian Ferry que se entregou completamente em temas como 'More
than this', 'Dance away' e claro, 'Jealous guy'.
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